Para Que Serve O Dom Do Entendimento?

Para que serve o dom do entendimento

Há pessoas simples que,  mesmo sem entender os dogmas e demais ensinamentos da Santa Igreja, permanecem fiéis aos seus ensinamentos;  possuem  o sabor  pelas coisas de Deus e, mesmo ignorando o vasto significado da liturgia, dos dogmas e das orações, dão testemunho de intensa devoção e piedade.  Estão repletos de sabedoria, mas lhes falta o entendimento, o qual se resume na busca pela compreensão das coisas de Deus, no seu sentido mais profundo.

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Jesus tomou o pão, abençoou, partiu e deu aos dois discípulos. Diz São Lucas que então “abriram-se os olhos deles e o reconheceram”. Até a fração do pão, aqueles dois homens estavam usando a sua própria inteligência para formular suas ideias e pensamentos, seja quando caminhavam sozinhos, quando relataram ao “estranho viajante” o que esperavam de Jesus, o que significava sua morte, e mesmo após ouvir as palavras do Senhor lhes revelando o sentido das Escrituras. O que aconteceu, que fê-los levantar-se imediatamente, voltar a Jerusalém, encontrar os onze com os outros companheiros e lhes contar que “o haviam reconhecido ao partir o pão”?

São frutos do dom do entendimento as intuições das verdades da fé que são concedidas a muitos cristãos durante o seu retiro espiritual ou durante uma leitura inspirada pelo amor a Deus. O “renascer da água e do Espírito” (Jo 3,3), a imagem da “videira e dos ramos” (Jo 15,5), o “seguir a Cristo, renunciando a si mesmo e tomando a cruz a cada dia” (Lc 9,26), e muitas outras verdades, tomam então clareza nova e transformam a vida do cristão.

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A penetração que o dom da inteligência (ou do entendimento) nos dá é diferente daquela que o teólogo adquire pelo o estudo; esta é relativamente penosa e lenta. Além do que, pode ser alcançada por quem tem alcance intelectual, mesmo que não possua grande amor. Ao contrário, o dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus. Jesus disse: “Eu te bendigo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11,25)

O Espírito Santo é generoso. Não reserva o dom do entendimento ou da inteligência apenas para momentos tão dramáticos como a ressurreição de Jesus. Na vida da Igreja, Deus concede esse dom àqueles que o buscam, que desejam, como consequência da sua própria fé, conhecer mais e melhor a verdade revelada por Deus, como nos ensina São João Paulo II3. Podemos receber esse dom enquanto meditamos piedosamente as Sagradas Escrituras, ao ouvir uma homilia, ao adorar Jesus Eucarístico, enquanto rezamos. Os frutos do dom do entendimento são as intuições das verdades de fé, uma compreensão sobrenatural sobre algo que parecíamos já saber, e que nos leva a exclamar, como já vi o Padre Paulo Ricardo dizer: “Antes eu sabia. Agora eu SEI!”.

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São João Paulo II ensina que essa inteligência sobrenatural não é concedida somente a indivíduos, mas à comunidade, aos pastores e aos fiéis de modo geral, que possuem o sensus fidei, que os guia em suas escolhas e decisões4. Importante entender que não importa o esforço intelectual que façamos, nós somos incapazes de fabricar esse dom sobrenatural. Como o próprio nome diz, é um dom, uma graça, e nasce do amor. Quanto mais eu amo a Deus, mais meus olhos se abrem para o conhecimento de Seus mistérios, pois não cesso de meditar, refletir, pensar sobre Deus e Seu Reino.

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Em suma, o dom do entendimento nos faz ver melhor a santidade de Deus, a infinidade do Seu amor, o significado dos Seus apelos e também a pobreza da criatura que se compraz em si mesma, em vez de aderir corajosamente ao Criador.

O alimento dado por Jesus “lhes abre os olhos, revela-lhes a identidade do caminheiro, a vida do ressuscitado, o sentido da instrução precedente”1. O dom do entendimento lhes foi infundido nesse mesmo momento, e tudo mudou: “esta dádiva faz-nos compreender a realidade como o próprio Deus a entende, isto é, com a inteligência de Deus”, ensina-nos o Papa Francisco2. Enquanto estavam presos àquilo que suas mentes contemplavam, eles literalmente se afastavam da vontade de Deus após a dura provação sobre a qual tanto Jesus lhes avisara. Retornavam para suas vidas antigas, viam sua fé esfriar. Ao ler no íntimo as verdades reveladas por Deus, nem quiseram descansar e retomaram sua caminhada, desta vez decididos, animados, em direção a Jerusalém. O efeito imediato do dom do entendimento foi o crescimento da sua fé. O que antes era confuso, agora estava claro; o que era incompreensível, agora fazia sentido; onde reinava o medo, agora havia coragem.

Na ordem natural, é compreensível que o amor brote do conhecimento. Na ordem sobrenatural, porém, pode acontecer o inverso: é o amor que abre os olhos do conhecimento. Os que mais amam a Deus são os que mais profundamente dissertam sobre Ele. Santo Agostinho dizia: “Creio para compreender e compreendo para crer”.

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Há algumas semanas, fui padrinho de uma criança. Tenho quatro filhos – todos batizados, graças a Deus – e sou padrinho de várias crianças, além de já ter dado o curso de preparação para o batismo na minha paróquia, de maneira que posso dizer que àquela altura eu já compreendia bem o significado desse sacramento. Entretanto, a cada palavra, a cada gesto litúrgico do padre, eu me lembrava justamente da exclamação dos discípulos de Emaús: “Não se abrasava nosso coração enquanto nos falava pelo caminho e nos explicava a Escritura?” (Lc 24,32). Em determinado momento, o padre explicou que, em instantes, aquelas crianças seriam sepultadas na pia batismal como criaturas manchadas pelo pecado e ali mesmo ressuscitariam com Cristo, agora filhas adotivas de Deus. A forma como o padre falou atingiu de tal forma a minha inteligência que fui envolvido pelo mistério do batismo e a minha fé em Deus aumentou.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte, afirma que o entendimento é o maior dos dons do Espírito Santo, “é para o coração e para a inteligência tão importante quanto o alimento o é para o corpo”5. Peçamos a Deus essa graça, esse dom, para penetrarmos em Seus mistérios, conhecermos melhor Sua Vontade e crescermos no amor e na fé.

Conta-se que um irmão leigo franciscano disse certa vez a São Boaventura († 1274), o Doutor Seráfico: “Felizes vós, homens doutos, que podeis amar a Deus muito mais do que nós, os ignorantes!” Respondeu-lhe Boaventura: “Não é a doutrina alcançada nos livros que mede o amor. Uma pobre velha ignorante pode amar Deus mais do que um grande teólogo se estiver unida a Ele”. O irmão compreendeu a lição e saiu gritando pelas ruas: “Velhinha ignorante, você pode amar Deus mais do que o mestre Frei Boaventura!”.

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O dom do entendimento mostra também o “horror, a hediondez do pecado” e a grandeza da miséria humana. Os santos, quanto mais se aproximaram de Deus, quanto mais foram santos, tanto mais tiveram consciência do seu pecado ou da sua distância em relação Àquele que é três vezes Santo.

O dom do entendimento dá-nos a percepção espiritual necessária para entender as verdades da fé em consonância com as nossas necessidades. Sabedoria não é consequência do entendimento ou vice-versa; mas o perfeito complemento da sabedoria. Por serem distintamente preciosos, fazem com que nos aproximemos de Deus com todas as nossas forças, com toda a nossa devoção e inteligência.

Não há quem nos ensine mais sobre o dom do entendimento – ou da inteligência – do que os discípulos de Emaús. Após a morte de Jesus, eles andavam, como diz a música, “tristes, sem direção, sob o peso da morte e da dor”. Eram discípulos, logo, ouviram Jesus pregar, viram seus sinais e milagres, partilharam a mesa com o mestre, mas, ainda assim, não estavam preparados para o que parecia o fim trágico de suas esperanças. São Lucas nos conta que eles estavam conversando a respeito do que se passara em Jerusalém quando “Jesus em pessoa os alcançou e se pôs a caminhar com eles” (Lc 24,15). Aqueles que consideravam Jesus “um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo”, “o libertador de Israel”, não reconheceram o Senhor. Aqui aparece a primeira pista a respeito do dom do entendimento: por meio dele, é possível enxergar além do que nos dizem nossos olhos, nossos sentidos, nossa inteligência, nossos raciocínios. O dom do entendimento nos abre as portas para o sobrenatural, nos leva a mergulhar nos mistérios divinos.

Dons de Santificação

Jesus, a quem eles não conseguiram identificar, porque estavam limitados aos seus sentidos, lhes pergunta o que os deixou tão preocupados e agitados. Eles respondem fazendo referência às expectativas gloriosas que depositavam sobre Jesus e relatando fatos que lhes parecem irrelevantes – as mulheres não encontraram o corpo quando foram ao sepulcro, anjos informaram que Ele estava vivo. Estavam cegos à Palavra e aos sinais. Jesus chama-os de “insensatos e lentos para crer” e começa uma “grande aula pascal sobre a Escritura”, explicando como a Cruz e a Ressurreição são a chave para compreender a Lei e os Profetas. Apesar de os discípulos não terem reconhecido Jesus mesmo depois de sua exegese bíblica, algo mudou dentro deles, que, tendo chegado a Emaús, dizem a Jesus: “Fica conosco, pois é tarde e o dia está terminando”.

A palavra “inteligência” é derivada de intellegere, que significa ler dentro, penetrar a fundo. Na ordem natural, entendemos intelligimus quando captamos a essência de alguma realidade. Na linha da fé, paralelamente, entender é penetrar, ler no íntimo das verdades reveladas por Deus, é ter a intuição do seu significado profundo. Pelo dom do entendimento, o cristão contempla com mais lucidez o mistério da Santíssima Trindade, o amor do Redentor para com os homens, o significado da Sagrada Eucaristia na vida cristã, a importância dos sacramentos, da liturgia, da Palavra de Deus, das mortificações, meditações, orações, da moral católica etc.

Qual a diferença entre conhecimento e informação e sabedoria?

Esse é o caso do conhecimento científico. Os factos mudam, a informação muda e consequentemento o conhecimento nunca é absoluto - ele é sempre relativo ao contexto e ao momento que se vive. A sabedoria não tem prazo de validade. A sabedoria consiste em saber o que fazer com qualquer conhecimento.

O que quer dizer a dúvida é o principio da sabedoria?

A frase "a dúvida é o princípio da sabedoria" significa que o princípio do pensamento filosófico está no questionamento e na indagação. É a dúvida que nos faz refletir em busca de explicações racionais aos nossos pensamentos e consequente ações.

Qual é o principio da sabedoria Provérbios 9 10?

Provérbios 9:10 – O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a ciência do Santo, a prudência. ... Saber que um Deus santo, um Ente Supremo, com poderes eternos existe, é tudo que se precisa para obter o verdadeiro entendimento.

O que repreende o escarnecedor?

Provérbios 9:7 – O que repreende o escarnecedor afronta toma para si; e o que censura o ímpio recebe a sua mancha.

Quais são as características da Sabedoria que vem de Deus?

Resposta: Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia”.

O que são as sete colunas da sabedoria?

AS SETE COLUNAS DA SABEDORIA

  • TEMA: AS SETE COLUNAS DA SABEDORIA.
  • TEXTO: Pv 9.

O que são os sete pilares da sabedoria?

Os Sete Pilares da Sabedoria

  • Os 7 Pilares da Sabedoria.
  • Primeiro Pilar Da Sabedoria – O Tempo.
  • Segundo Pilar da Sabedoria – A Experiência da Vida Reflexiva.
  • Terceiro Pilar da Sabedoria – Dar Sentido à Ambiguidade.
  • Quarto Pilar Da Sabedoria – Decidir Com Bom Senso.
  • Quinto Pilar da Sabedoria – Viver a Vida Com Pragmatismo.

O que quer dizer ser coluna?

Para uma pessoa ser considerada coluna para a igreja, mais do que tudo ela precisa orar, pois um dos sustentos da igreja é a intercessão. A oração é uma coluna que mantém a igreja de pé, por isso nunca cesse de orar pela igreja, e você será como coluna para ela.

Como adquirir sabedoria de Salomão?

A Sabedoria de Salomão Nas Finanças: Conclusão

  1. O momento perfeito não existe, faça hoje!
  2. A preguiça causa fome e pobreza.
  3. A diligência gera prosperidade.
  4. Todo trabalho duro traz proveito.
  5. Só trabalho duro não basta, trabalho inteligente gera sucesso.
  6. Tenha varias fontes de renda.
  7. Tenha motivos extremamente fortes.

Que lição aprendemos com o pedido de sabedoria de Salomão?

Entre as lições de Salomão, reconhecer o impacto de certas palavras na vida de outras pessoas é urgente. ... Salomão explica que “há aqueles cuja fala é como uma espada cortante; mas a língua do sábio é um bálsamo” (Provérbios 12:18). Os sábios utilizam a comunicação para trazer cura e saúde aos demais.

Quando Salomão pediu sabedoria a Deus?

Salomão responde com a oração de 1 Reis 3, pedindo sabedoria. Diante de uma oportunidade como a de Salomão muitos seriam tentados a pedir riquezas, poder e glória. Salomão pede sabedoria. Com a sabedoria é possível discernir o que é justo e o que é injusto, o que é ou não vontade de Deus.

Porque Salomão pediu sabedoria a Deus?

Sempre abrir. Salomão foi filho do Rei Davi e Bete-Seba, e tornou-se rei de Israel. ... Salomão pediu sabedoria ao Senhor para que governasse e foi atendido em seu pedido.

Como foi o pedido de Salomão a Deus?

Resposta. Resposta: queria sabedoria! ... O Rei Davi era segundo o coração de Deus, quando pecava ele se prostrava na presença de Deus até que de o perdoasse, Salomão filho de Davi pediu sabedoria pois sabia que se pedisse a Deus, seria abençoado.

Qual passagem da bíblia fala sobre a sabedoria de Salomão?

I Reis 4:29–30, 34—Deus abençoa Salomão com sabedoria e entendimento.